Existem diversas formas de se classificar a dor.
Pelo tempo, pela duração, pela fisiopatologia (origem e mecanismo da dor).
Dessas, a mais útil do ponto de vista terapêutico é a última, em que se pode relacionar mecanismo causador da Dor e associar com estratégias de tratamento.

Classificacao temporal

DOR AGUDA

Aquela com duração inferior a 2-3 meses.
Relaciona-se diretamente com algum trauma de estrutura corporal sensível. É a Dor como mecanismo de aviso do corpo, de que algo esta errado.
Resolvendo-se aquela alteração, a dor cessa.
Exemplos
Traumas diversos, apendicite, colecistite, cólicas, algumas dores de cabeça, dor de coluna por hérnia de disco

DOR CRÔNICA

Aquela com duração superior a 3-6 meses.
Pode ter relação com a causa inicial em processos patológicos de difícil cura, mas geralmente correlaciona-se com processos patológicos em que a dor é uma doença em si.
Mesmo havendo a cura total do desencadeante, a dor persiste.
Exemplos
Neuralgia pós-herpética, pancreatite crônica, dores de cabeça crônicas, síndromes dolorosas regionais complexas (antigamente chamadas de distrofias simpático-reflexas)


Do ponto de vista fisiopatológico, ou seja, do mecanismo de formação da Dor

DOR NOCICEPTIVA

Aquela iniciada pela ativação de pequenas fibras nervosas cuja ação é avisar  o corpo de que algo não está bem. São fibras que respondem a calor, frio, estímulos mecânicos. Quando deixa de haver o estímulo, deixa de haver dor. São os chamados nociceptores, receptores especializados para a detecção e transmissão de estímulos dolorosos ao cérebro.
O tratamento envolve a retirada da causa e o controle sintomático será feito com medicações habitualmente utilizadas como dipirona, paracetamol, antiinflamatórios e opioides.

DOR NEUROPÁTICA

Dor devido a lesão de alguma estrutura do nosso sistema nervoso. Pode ser no cérebro ou em qualquer nervo pelo corpo. Provavelmente, a lesão dessas estruturas desencadeia processos patológicos que fazem com que a estrutura de transmissão (nervos) ou a de processamento da dor (cérebro) passem a ser a causa, em si, da dor. 
Mesmo que a causa inicial tenha sido curada, a dor persiste devido a alterações no próprio funcionamento daquelas estruturas.
Exemplos
Neuralgia pós-herpética, dor pós-AVC (acidente vascular cerebral), neurite pós toracotomia (cirurgia no tórax), dor pós-mastectomia (retirada da mama), polineuropatias (como a diabética), lesoes traumáticas de nervos...
O tratamento é mais difícil e envolve uma ampla gama de possibilidade terapêuticas, geralmente em associação.
Lança-se mão de medicamentos que habitualmente não são usados para dor como os antidepressivos, anticonvulsivantes, alguns medicamentos para pressão, anestésicos, relaxantes musculares etc.
Pode-se complementar com procedimentos minimamente invasivos, implante de eletroestimulador medular e até neurocirurgias podem ser necessárias.


DOR DE MANUTENÇÃO SIMPÁTICA

Existe em nosso corpo, um tipo de nervos que atuam no controle autonômico de diversas funções orgânicas. São responsáveis pelo equilíbrio das atividades orgânicas. Aceleram o coração, controlam a transpiração, a salivação, controlam as pupilas, controlam os intestinos etc. Tudo isso sem qualquer participação consciente.
Daí o nome de sistema nervoso autônomo.
Ele pode ser divido em dois, o sistema nervoso simpático e o parassimpático, com funções antagônicas. Enquanto um acelera o coração o outro desacelera, um dilata as pupilas e ou outro as contrai. De acordo com a necessidade.
Tudo isso, para chegar ao ponto de que pode haver uma disfuçãao do sistema nervoso simpático que leva a quadros dolorosos crônicos. São as chamadas dores simpaticamente mantidas, em que a função normal do simpático é interpretada pelo cérebro com Dor.
O exemplo mais típico são as Síndromes Dolorosas Regionais Complexas tipo I ou II. Nesse caso, pequenos traumas, cirurgias de extremidades, engessamento, podem levar a alterações do simpático que vai se exteriorizar como dor, inchaço, alteração da cor e temperatura da pele etc.
O tratamento envolve a reabilitação precoce do membro acometido após controle da Dor que envolve bloqueios do sistema nervoso simpático e algumas medicações semelhantes às usadas nas dores neuropáticas.


 
 
  Site Map